Vai em paz D. Carminha!

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Na madrugada de quarta-feira, 09 de outubro de 2013 veio a óbito Dona Maria do Carmo, a minha sogra. Um mal súbito. Um ataque fulminante do coração. Uma coisa qualquer… pois, nada se sabe do que aconteceu, além do que isto. Ela deitou no sofá da sala para esperar a filha ligar para irem busca-la no trabalho. Quando o telefone tocou, ela já não atendeu, pois, morta estava!

Fica a saudade, a dor da ausência, a falta da personalidade, e todo o ressentimento de não ter estado perto para ver se havia algo a ser feito. Ficaremos sempre com a sensação de que algo deixou de ser feito, como por exemplo, um socorro, uma ligação em tempo hábil ao 192 SAMU. Certeza do que aconteceu nenhum de nós temos.

Muito se pode comentar sobre a morte. Muito se pode tentar explicar, mas, olhar a imagem dela, e saber que nunca mais iremos vê-la, ouvi-la, tocá-la… isto traz uma sensação estranha, assim do tipo, que não se sabe explicar, que não como dizer o que é. É isto ai, chama-se falta, ausência, lacuna. É o que posso dizer.

Na imagem tem o escudo do Vasco da Gama, por que, ela era uma ardorosa torcedora!

Vai em paz D. Carminha!

Os assassinos do menino colobiano Bryan estão sendo assassinados. E dai?

A noticia nem é nova! Há quase trinta dias que li sobre o assunto, mas, ontem li uma nota de um colunista questionando assim: “E como é que criminosos condenados e presos dão ordens, sabendo que as ordens serão cumpridas?”

Para muitos brasileiros a resposta à pergunta é irrelevante. Para milhares de brasileiros a morte destes frios e desumanos bandidos é mais do que merecida. É como se sentissem que a justiça feita é mesma esta: a morte de cada um deles, com requinte de crueldade e com ampla divulgação. Milhares se sentem justiçado nestas medidas adotadas pela facção criminosa, que, segundo se espalha, é adepta do crime, mas, até no crime há limites a não ser transposto, e, violência às crianças é uma das linhas do limite.

Outras linhas de argumento levam-nos a outras constatações e conclusões obvias. Se são mesmo os integrantes da organização criminosa a agir assim, evidente que é uma afronta ao Estado democrático e de Direito. É de fato um outro tipo de justiça; um outro tipo de tribunal; um outro tipo de policia; um outro tipo de lei que obedecem e seguem como parâmetros.

Este “Estado Paralelo” em que a pena de morte é a lei, os carrascos obedecem sabe-se qual juiz, que tipo de lei, pode satisfazer o sentimento de vingança na situação e na tragédia que foi o que aconteceu na família do Bryan. Foi triste e lamentável, mas, não devemos esquecer que vivemos em um país regido por Constituição, por outros códigos estabelecidos na lei maior: a Constituição.

Quase todos que participaram do assalto e do assassinato estão já mortos. Eu sei de pelo menos dois amigos que reagiram assim: “Os assassinos do menino colobiano estão sendo mortos? Ah! E dai? É isto mesmo que deviam fazer” Outro assim disse: “Pode ser até policiais que os tenham matado. Investigaram. Localizaram. Exterminaram. Fizeram o correto”

Não é apenas um sentimento e um desejo primitivo. Não é apenas uma externação de concordância com o código de Hamurabi e mosaíco. É também a externação da desconsolada realidade de que, estes individuos deveriam ser mortos, porque o sistema judiciario não daria uma pena adequada, e o cumprimento da pena não seria como se espera. Se condenados a 20 anos, que permanecessem 20 anos lá dentro, e não 6 anos, e com progressão de pena. E, que, já se imagina que, uma vez dentro dos presídios, não há certezas de que sairão de lá socialmente recuperados, então, já que estão indo para a “escola do crime” e já são perversos antes de lá entrarem, que sejam exterminados antes de se transformarem em algo pior. Mas, que tipo de pior, poderão ser, se já são o que são?

Fato é que, sentido-se justiçados ou vingados, a realidade é que milhares ficaram horrizados, aterrorizados com a maldade que fizeram a menino Bryan e a sua família.

A crua e cruel realidade é que, ainda hoje, milhares de anos depois, o que muito se deseja foi o que Moisés ordenou: “extirpar o mal do meio do povo”

Adonias Machado: Vá em paz!

Ontem por volta das vinte e uma horas faleceu o senhor Adonias Rodrigues, avô de minha esposa Kátia, e consequentemente, bisavô de meus filhos com Kátia.

Faleceu com 96 anos de idade. Algumas pessoas pensam e até dá de ombro quando sabem que pessoa em certa idade morre, como se, por estar em certa idade, anulasse todos os sentimentos e emoções nas pessoas da família. E não é verdade! A morte por mais esperada que seja, por mais certa que seja, por única certeza que seja, não nos é fácil, nem deixa de ser dolorosa se acontece em tenra idade ou em idade avançada.

Eis abaixo imagem do avô de minha esposa, que faleceu ontem, e sepultado hoje, neste sábado 16 de março.

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Esta imagem é de 2005 por ocasião de uma festa de comemoração de aniversário dele e que reuniu a maioria dos filhos, filhas, netos, bisnetos e até os tataranetos.

Quem foi este senhor? Comenta-se aqui, ali, lá e acolá que foi o primeiro, melhor e grande motorista e mecânico da região. Tem ainda lá na roça um resto de um caminhão, que se consta, foi o primeiro da região de Irecê.

Contribuiu em muito para o desenvolvimento da cidade de Irecê ainda que não reconhecido por quase todos aqueles que recentemente lançaram livro sobre Irecê. Eu sei por exemplo, que parte do bairro do centro, atrás do Banco do Brasil em direção à rodoviária, grande faixa de terras pelo lado da Padaria e Mercado Barbosa, onde é hoje a IURD, e várias outras faixas de terra foi por ele doada para o município. Há também outra histórias mais reveladora sobre isto tudo. Como por exemplo, de alguns ex-prefeitos que o convenceu a doar as terras, mas, as terras deles mesmos todas eram feitas de loteamentos, ou seja, as minhas são vendidas as suas devem ser doadas, e com qual argumento: “você vai contribuir com a cidade” – E daí?  Darão ao menos o nome de uma rua em homenagem a este homem?

Este homem me tratou muito bem. Quando nos encontrávamos era sempre uma cortesia e uma alegria imensa. Sempre me beijava como filho. Sempre perguntava por meus filhos. Eu não fui ao velório nem no sepultamento. Pedro Henrique esteve doente desde ontem. Estive ocupado com este enquanto Kátia estava cuidado do velório e sepultamento do avô. Este texto é minha homenagem a vida do avô de minha esposa, o senhor Adonias. Que foi uma grande influência e ajuda em minha vida, quando casei com Kátia. Ele viveu todas as etapas biológica: Nasceu. Cresceu. Reproduziu. Envelheceu e ontem: morreu.

Eis uma imagem com parte dos filhos e filhas de Adonias, da mesma festa acima citada.

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Dete, Nizo, Loro, Heleno, Adonias, Mar, Carlinho, Ninho, Valdisio.

 

 Acho que não errei nenhum nome não! E, penso faltar: Dora, Arnaldo e Gil.

Orgulho de ter entrado em sua família, de ter casado com uma de suas netas.

Senhor Adonias, vá em paz e grato pelo homem que foste. Pela vida que viveste. A família que deixaste. Filhos e filhas que criastes. Parabéns pela vida que teve! Ninguém acerta sempre, mas, acertar mais do que errar, é sem dúvidas, notável e elogiável.

O abortar anencefálicos agora pode!

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Estamos todos, como cidadãos, direta ou indiretamente envolvidos de alguma forma no debate sobre o “aborto de anencéfalos”. Algumas opiniões não dizem por que se é contra ao aborto, nem porque se é a favor do aborto de anencéfalos. Alguns apenas dizem que não é uma questão para os religiosos, como se somente os tais estivessem interessados e defendendo o assunto. Uma amiga escreveu que o debate sobre o aborto é infantil e deprimente. Outras pessoas acusam a sociedade brasileira de hipócrita, egoísta, desinformada, etc. No entanto, vi poucas opiniões sobre os motivos pelos quais se são favoráveis ou contrários. Nenhuma explicação sobre o assunto dizendo, eu sou contra por causa disso, disso e daquilo. Normalmente o que são contrários ao aborto é quem listam seus motivos.

1. STF e o Congresso  

No inicio eu questionei o porquê de o STF está debatendo o assunto[bb]. Porque o STF teve que definir a questão e não o poder legislativo? Não só eu, até um dos ministros afirmou assim: “não é dado aos integrantes do Poder Judiciário promover inovações no ordenamento normativo como se fossem parlamentares eleitos”. O que eu concordo.

Sobre as funções e atribuições do STF leia aqui: Título IV – Da Organização dos Poderes – Capítulo III – Do Poder Judiciário – Seção II – Do Supremo Tribunal Federal.

Pelo que entendi de todo o assunto, é que, a legislação brasileira[bb]  permite aborto em casos de a gravidez ser fruto de estupro, e quando, há risco de morte da mãe. Fora estes dois itens, abortar é crime. O STF definiu que não é crime quando a gestante decide interromper a gravidez de anencéfalos. Juntando-se agora, mais este item as anteriores. Ou seja, agora se pode abortar nestes casos específicos:

  • Risco de morte da mãe;
  • Estupro;
  • Anencefalia.

Finalizando este ponto 1, resta agora, o legislativo tramitar[bb] o que tem para legislar. O STF já decidiu que doravante, se terá mais rapidez nas ações em que se desejam interromper a gravidez também por anencefalia.

2. Sobre os religiosos contrários ao aborto.

Alguns comentários e opiniões sobre o assunto nem entram no mérito do debate das questões. Alguns se posicionam favoráveis ao tema por saber que muitos religiosos são contrários, e se eles são contrários ao aborto, e não se gostando de religião, e por este motivo se vai para o outro lado da questão. É uma estupidez. É, talvez, estranho que a maioria a contrária a decisão sejam religiosos, mas, nem todos o são. E não é por que a maioria seja ligada a alguma religião que o tema se torna dogmático, doutrinário. Não, não é! Por outro lado, é como dizer que, todos os que não são religiosos são favoráveis, o que, não é também verdade, pois, há PELO MENOS UM não religioso contrário ao aborto. Se o assunto deve ser assim tratado por haver muitos religiosos contrários, mas há religiosos que apoiam que tipo de argumento é este? Poder-se-ia, por exemplo, os religiosos recusarem a prática da lei por que os não religiosos a votaram? E, será que os doutos do STF, todos eles não tem religião? E. Se sendo religiosos, seus votos não estariam seguindo a tendência de sua religião. É de pensar, uma vez que a maioria[bb] deles votou a favor, que eles não sejam religiosos? E se são religiosos por que votaram a favor do aborto de anencéfalos?

Simples assim: a questão de poder ou não abortar anencéfalos não é uma questão religiosa, afinal, não conheço nenhuma doutrina cristã que seja denominada de Aborto!

3. Abortar anencéfalos, agora pode!

De hoje, 12/04/2012 está decidido que não é crime, juntamente com os demais citados, abortar os fetos sem cérebros. Os argumentos dos ministros não me convenceram do contrário. Pelo contrário. Algumas comparações que os tais ministros do STF utilizaram foram rasos e desprovidos de força.  Esta frase, por exemplo: “É preferível arrancar a plantinha ainda tenra no chão do útero do que vê-la precipitar no abismo da sepultura”. – Não vejo nada de iluminado nesta frase. Qual é a destinação do feto anencéfalos abortado dos anencéfalos que nascem e morrem?  Pô ministro, que frase mais sem noção!

Minha mãe teve 12 filhos. Do total de filhos, dois morreram nos primeiros meses. E teve algumas, isto mesmo, “algumas percas” (abortos). E ela fala com sentimento[bb] semelhante de todos. Dos que foram perdidos espontaneamente, bem como fala dos que morreram.  Pelo menos duas amigas que abortaram (não anencéfalos) e que perderam seus filhos ainda nos primeiros dias depois de nascidos demonstram sentimentos de traumas semelhantes. Eu não entendo como é que se pode considerar extrair o feto anencéfalo do útero mais trágico do que levar a gravidez[bb] até o parto sabendo que o mesmo poderá morrer assim que nascer, ou morrer dias, semanas, meses ou anos depois. Eu, não gostaria de estar no lugar da mãe, nem do pai, nem da família nestas questões. É ter que escolher entre o trágico e o terrível. O Luiz Fux diz que “A mulher[bb] passa por um sofrimento incalculável, na qual resultam chagas eternas que podem ser minimizadas caso seja interrompida a gravidez, se esse for o desejo da gestante”. – Pra mim, não há muita diferença. Desde o recebimento da noticia: “você gesta uma vida que não tem cérebro”.  Até a decisão de preferir abortar, e ou do contrário: “vou continuar e quero ver no que vai dar…” Não é nada fácil. Tudo é sofrimento incalculável Luiz Fux. Não somente continuar! E tão pouco se terá alívio em optar pelo aborto. Não haverá  minimização certa nestes casos. É trauma. É frustração. É trágico. É terrível. É doloroso. Tratam a todos como insensíveis.

No entanto, considero, uma vez, que nem toda gravidez de anencéfalos, traz risco de morte da mãe, mais humano, mais honrado preservar o direito deste humano anencéfalo de nascer, ainda que vá morrer, sabe-se lá quando.  Alguns argumentam: “E quem é que vai arcar com as despesas?” – Quem vai pagar por estes anencéfalos? – E a resposta é algo assim: “é o contribuinte através do sistema único de saúde” Ou seja, para estes humanos, deve-se abortar os anencéfalos por causa da situação fiscal e tributária, e dos recursos dos Estado. – também triste e lamentável tal posicionamento.

Os traumas das gestantes foram muitas vezes citados como fonte da argumentação. Eu imagino que deve ser traumático, trágico, terrível e frustrante transcorrer este período – descoberta de anencefalia, aborto ou parto – para qualquer mulher. No entanto, conheço pelo menos duas mulheres que optaram não pelo aborto. Uma delas conviveu com o referido ente por onze anos. E o enterrou chorando e dizendo: você foi à luz de minha vida.  E sim, recentemente recebi um e-mail de uma criança, que dizem ser anencéfalo viva, mas, não é verdade. É acrania, segundo o blog que divulga a imagem da criança.

Eu sei! São casos isolados. Mas, penso que a liberação realizada hoje, não impedirá milhares de brasileiras de levarem adiante a gravidez de seus fetos anencéfalos. Afinal, como dizem por ai, a maioria que luta por contrário a liberação  são religiosos, e como tais, agora é a hora deles mostrarem que, ainda que a lei permita, eles não optarão.

Agora é a hora do testemunho. Agora é a hora da prática da pregação. Agora é a hora dos religiosos provarem que não é uma lei que vai determinar se um anencéfalo pode ou não nascer. Agora é que é a hora de se valer do exemplo. Agora é a hora de demonstrarem que a vida sempre dá um jeito.

O anencéfalo é um humano tanto quanto nós todos nascidos vivos, e até o momento vingado. É tão somente mais indefeso do que os que têm cérebros. E caberia aos que tem cérebros protege-los.

Terem votados a favor não vai significar diferença para milhares de mulheres. O fato de a lei dizer: “você pode abortar nestes casos: A, B, C”,  não é facilitação para milhares que irão continuar a pensar que abortar em qualquer circunstâncias ainda é a pior escolha. Ainda que a lei permita, elas seguirão o que desejam e pensam. Bom para quem não tem estas cercas e limitações morais e éticas, e ou que conseguem viver, conviver e suportar as cobranças posteriores e as dúvidas e incertezas que passam diante destes eventos.

Finalizando.

Quando em 14 de outubro do ano 2000 o Dr. Guilherme gritou no corredor do Hospital Municipal de Irecê: Quem é o marido de Kátia Scarllette – e eu me apresentei – ele me exigiu uma resposta a questão:

– Estou entrando com os dois. Se eu tiver que escolher entre ela ou o beber, e tendo só uma opção qual deles eu salvo – a mãe ou a criança?

Foi uma das decisões mais rápidas e difíceis que tive que tomar. Optei por ela e pelo útero inteiro. E, você pode dizer que eu estou sendo hipócrita, pois, está claro que eu tomei uma decisão abortista. E de fato foi! Mas, amparado na lei. Em caso de risco de vida da mãe, pode-se abortar. É o que nos conceitos morais, se aprende: entre dois conceitos morais em conflito, opte pelo de maior valor. Naquele instante avaliei o que pude avaliar. E a opção foi pela vida de minha esposa com a possibilidade de podermos gerar outras vidas. Felizmente, hoje, tenho tanto a mãe quanto a xodó da família, PH.

Em 1996 estive acompanhando uma mulher que abortou por que, segundo os exames médicos o feto estava com má formação. Ela abortou e de fato, havia má formação. Seis meses depois, entrou no banheiro e atirou na cabeça. O bilhete dizia: eu não suporto mais ouvi meu filho chorar.

Os traumas nestas questões são inevitáveis. É como escrevi, é escolher entre o trágico e o  terrível.

A vida, a religião, a filosofias e a mitologia de cada qual

Somos seres que sabendo ou não, conhecendo ou não, que expressamos nossos conceitos, nossos preceitos, nossas regras, nossos princípios morais e éticos aos demais. As formas e maneiras de expressões é que variam. No entanto, e isto nos diferem de outras raças no mundo, pensamos e agimos de forma análoga e as vezes caóticas.

Este comportamento tão humano as vezes é replicado quando tudo está bem de forma diversa e constante através de histórias, de exemplos, de analises. Do outro lado, quando se sabe que outros semelhantes estão em situação não bem, não agradável, é natural ir ao encontro destes semelhantes para auxiliar-lhe numa maneira de viver, numa maneira de proceder tal que se poderá ser feliz e viver sem dor, sem sobressalto, viver sem sofrimento. Nem sempre se consegue.

Há algumas pessoas que não sabem expressar em palavras ou em exemplos conceitos filosóficos, conceitos e modos de se viver. É interessante como se tentam ao menos de forma desastrada querer replicar uma maneira eficaz ou eficiente de bem viver, quando tudo está bem, quando não se tem sobressalto, e as vezes, quando se consegue ignorar  as fortes emoções que a vida nos proporciona através da morte, da dor, do sofrimento, do amor, da fé, das emoções, das situações adversas.

– Fé e Religião: Antes de tudo, é importante não confundi as definições. Fé não é religião. E ter religião não é o mesmo que ter fé. Você tem fé, e não está ligado a nenhuma religião. Há até uma relação de união entre fé e religião. Afinal, se pensa logo que todos os religiosos tem fé nos dogmas, doutrinas e nas entidades sagradas de sua religião.

Na teologia, fé é primeira das virtudes. Na definição do apóstolo, fé é um dom de Deus. Muitas  pessoas querem e pensam que nosso sofrimento é por falta de fé. Não me acostumo com algumas frases que me falam ao longo dos dias: tenha fé! É uma das mais comuns. Tal frase já nem surte tanto efeito em mim. Afinal, o que percebo é ela sai automaticamente. Algumas mais incisivos querem apontar uma relação inexistente de causa e efeito. – Você sofre por que a sua fé é pouca. Você não prospera por que a sua fé diminuiu.

Por outro lado é também comum a certas pessoas a expressão: não existe pessoa neste mundo que tem fé igual a minha. Certamente não é falta de fé. Talvez humildade e modéstia.

– Fé e Igreja: pessoas pensam e advogam que o sofrimento é por não se ir a uma igreja. Estas pessoas certamente confunde ter fé com freqüentar reuniões religiosas. Nenhuma relação há entre a fé, e pertencer a um grupo religioso. Garanto que uma grande porção de humanos já freqüentou algum tipo de reunião religiosa em que não se cria, em que não se mantinha fé no que ali era ensinado.

Esta semana nos veio aqui uma meia-parente e disse-nos que sabia por que estamos em situação adversa: É que foi revelado lá na igreja que uma família estava sofrendo uma maldição por que se recusava a ir naquela igreja. – Disse ela. Mas, por que raio de relação e função composta ou inversa, ela chegou a conclusão que a tal revelação era uma referência a nós? As pessoas são assim. As vezes criam um elo onde não existe. Constroem uma união de causa-efeito, onde nem sempre há.

Estamos bem quanto a fé. Estamos bem quanto nossos princípios religiosos. Só temos alguns pontos divergentes quanto aos agrupamentos religiosos. No entanto, sabemos do valor da igreja, da religião e da fé. Sem confusão. Sem discussão.

– Dinheiro e Saúde: Steve Jobs está doente. Reinaldo Gianecchini também está doente. Um é rico, inteligente, e uma das mentes mais brilhante do mundo da tecnologia. O outro, é famoso, bonito e também rico. Inevitavelmente se comentam sobre as pessoas nestas condições e que caem em doença. 

O que me incomoda nestes casos, são os argumento que se usam. Muitos saem dizendo: “De que adianta ter tanto dinheiro sem saúde?”. Tal questão leva a conclusão equivocada de que ter dinheiro e ter saúde são auto excludentes. Ou que é proibido se ter saúde e dinheiro. E também, que as pessoas ricas, famosas, brilhantes abririam mão do dinheiro, da riqueza, da fama, se pudessem optar em ter estes e ter uma vida saudável.

Ter dinheiro não necessariamente provoca e leva as pessoas a perderem a saúde. Fato é que “muitos perdem a saúde pelo dinheiro, e depois gastam todo o dinheiro obtido para ter saúde”. No entanto, não é verdade que se queiram trocar a riqueza por saúde. A ideia inicial é de que se abre mão de toda e qualquer fortuna para se ter saúde. Infelizmente a vida é muito incerta. O momento (não o dia) de morrer de cada um pode estar muito mais próximo do que se imagina. Algumas pessoas morrem depois de anos lutando contra doenças. Outras morrem saudáveis. Morrem sem nunca terem adoecidos. Morrem ricos e saudáveis. Milhares morrem saudáveis, jovens e pobres. Outros morrem pobres, debilitado por doenças, e sem ter certos confortos que o dinheiro proporcionam.

Não é verdade a relação: De que adianta ter tanto dinheiro sem saúde. Não é uma relação válida. Não é que as pessoas escolheram ter dinheiro e não ter saúde. E que se trocariam a toda fortuna por saúde. Se você tivesse a oportunidade de viver 50 anos rico(a), poderoso(a), com condição, e com uma  trajetória brilhante, e marcante na história humana, você trocaria por 100 anos incógnito, pobre e saudável?  Isto também vai depender do que se fará nos 100 anos.

Doença e falta de Deus: Para algumas mentes é inevitável esta relação: Se esta doente, se falta dinheiro, se passa por dificuldade: é falta de Deus na vida! Se a a violência, se mortes hedionda, se algum tipo de crimes ocorre, se alguém foi seqüestrado. Se alguém foi morto(a) de forma cruel… o diagnóstico rápido e certeiro: É FALTA DE DEUS. Nunca se atribui a condição humana a culpa. Não é por que nós humanos somos assim. Não é por que somos violentos. Destrutivos. Incontroláveis. Indomáveis. Insaciáveis. E também desconhecidos em ações, métodos, pensamentos. Inacessíveis em explicações filosóficas, teológicas, psiquiátricos, psicológicos, matemáticos, ou qualquer tipo de ciência moderna ou antiga. O profeta Jeremias afirmou e inquiriu muito tempo antes de Jesus: “Quem pode entender o coração humano? Não há nada que engane tanto como ele; está doente demais para ser curado.”

Depois de morto: Para finalizar, não posso deixar de comentar o fim de todos nós. A morte. É curioso como algumas pessoas mudam de opinião e como se opina de forma semelhante em relação a quem morreu. Evidente que todos temos ideia, e todos queremos que nossos entes queridos estejam num lugar legal, bonito, lindo depois que passou por aqui. Fato é que mesmo que se tenha vivido de forma regalada aqui. Se viveu bem. Se viveu mal. Se viveu plenamente. Não importa! Fato é que a frase: TENHO CERTEZA DE QUE FULANO(a) ESTÁ NUM LUGAR MELHOR, é mais falada.

Bom! Eu entendo a frase. Ninguém volta da morte. E este silêncio. Esta falta de informação parece contribuir com esta ideia.Se morreu, não importa a religião, o credo, a maneira como se viveu: ESTÁ NUM LUGAR MELHOR.

Porém, já pensou na hipótese de que a mitologia Grega esteja correta nesta questão, e que, lá onde se está, domínio de Hades – O irmão de Zeus – ninguém possa sair? Ninguém consegue voltar? É uma hipótese!