É a educação quem necessita ser valorizada, não somente os professores.

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Quando, no final de Janeiro de 2012, exclui minha ligação com a rede social Facebook, havia por lá uma grande e maciça campanha em favor da valorização do professor. Havia várias faixas, imagens com argumentos a favor da “valorização do professor”. Algumas faziam comparação entre as culturas: “No Japão, o único profissional que não precisa se curvar diante do imperador é o professor, pois segundo os japoneses, numa terra que não há professores não pode haver imperadores”. E daí? Quantos professores brasileiros quererão mudar para o Japão por causa disso?  Ou, aqui no Brasil não temos imperadores, e, no entanto, não vejo nenhum professor se vangloriar de ter tido em suas mãos os maus elementos da nossa sociedade.

Outra corrente exigiam melhores salários e apelavam aos políticos que votassem favoravelmente ao piso nacional. Esta corrente depositavam suas esperanças na valorização vinda de leis que obrigariam a todas as esferas governamentais a pagarem um piso salarial. Ou seja, garantias de reconhecimento por meio da quantidade de dinheiro assegurada, mesmo, sem haver nenhuma comprovação de mérito ou qualidade profissional.

Outros advogam, de frente e de testa, que a educação pública brasileira não é melhor por que os professores ganham pouco, e em consequência disto, a desmotivação dos professores em dedicar, tempo, esforço, talento em favor da educação. Porém, professores que dividem o tempo em ensinar na rede pública e na rede privada, são melhores quando agem no particular, e são desmotivados no público, ou, sabem trabalhar bem na iniciativa privada, e sabem morcegar na rede pública. Conheço professores que trabalham no turno matutino, no vespertino e noturno para assegurar melhores rendimentos. E, estes, que assim faz, não se sentem valorizados, pelo contrário, para estes, valorização do professor é ganhar mais, e trabalhar menos. É poderem trabalhar apenas um turno e ganhar o suficiente para ir para casa o restante do dia para corrigir atividades, verificar o planejamento, medir as metas propostas e atingidas, poder e ter condições de auxiliar os alunos com dificuldades, fazer acompanhamento de cada aluno como se fossem únicos. E por ai afora. Muitos que tem estas condições de ensino, não se consegue medir melhoras. Não se consegue obter retornos diferentes.

São vários argumentos e vários ideólogos, professores, grupos de doutos e lentes insistindo no tema: valorização do professor. Eu também penso que deva haver algum tipo de valorização ao professor, mas, também sou favorável ao mérito. Valorizar o professor não é somente aumentar-lhe o valor de seus honorários. É dar-lhe condições favoráveis de trabalho. É oferecer-lhes meios de aplicar os conteúdos e fazer os devidos acompanhamentos. Etc. Acontece que, alguns amigos, já me chamam de encrenqueiro e revoltado. Semana passada, um amigo me disse: “A sua tristeza agora com o curso, é maior do que a alegria e o entusiasmo de quando começou” – E, é verdade!

Minha tristeza com o curso que faço, é constatar que professores com melhores salários, com dedicação exclusiva exigida, com carga horária definida, condições técnicas, disponibilidade mínima de recursos não fazem diferente do que todos estes outros que reclamam da situação: desvalorização.

É-me triste entrar em uma sala de aula para ouvir e ter aula sobre tecnologias e o máximo que se apresenta é a história daqueles recursos ligados e subutilizados. É uma tristeza observar que se poderia mudar, poderia ampliar, poderia fazer diferente, poderia aplicar novos conteúdos, poderia usar melhor os recursos disponíveis, poderia unir técnica, teoria e prática em 90% das aulas e, no entanto se opta pelo tão criticado método de DECORAR, Repetir, preparar para responder provas e avaliações.

É uma tristeza participar de uma reunião com os reconhecidos mestres, “titularizados”, reconhecidos e contratados pelo governo, e ser o único a questionar, inquerir, pedir mudança, pedir ousadia, pedir dinamismo, apontar outro trajeto, mais curto, mais efetivo, mais eficaz, mais técnico, mais prático, e ouvir como resposta: TEM QUE SER ASSIM! Isto não pode mudar não! Não tem outro jeito não, é assim que funciona. Não querem inovar. Não querem sair do caminho da vaca doente.

É uma tristeza ouvir que você é o problemático por apontar alternativas, questionar metodologias[bb], criticar a falta de licenciatura, dizer ao mestre que ele não fez discípulos, que ele teorizou quando deveria ter ensinado a fazer, que não soube ensinar ao aluno o conteúdo, que a ementa é a lista do que deve ser transmitido, mas, que ele deve saber quebrar as barreiras e motivar os alunos a conhecer e dominar, ao final das aulas, o conteúdo das ementas.

É uma tristeza ver os colegas se contentarem com os conteúdos mínimos; aceitar o pouco como o tudo; se esforçar pelo que se dá, pois, é melhor ter isto fácil[bb]e pouco, do que o muito e mais bem completo, receber o básico, o simples, o pouco, o curto, o raso com a ideia de que assim tá bom; é reconhecido, é certificado, “eu terei o papel”. E o preço? A baixa qualidade. O lengalenga: você finge que ensina, eu finjo e repito que aprendi o que você disse que ensinou.

Não me alegra ver que se poderiam ter aprendido de forma prática, técnica e teórica, mas, se abriu mão de tudo para ter o mínimo, o parco, o fácil, o tradicional. Não me digam queos professores[bb] estão necessitando de valorização. É a educação quem necessita ser valorizada, não somente o professor.

Os fatos continuam a desmentir Lula
[…] recebi um e-mail de uma professora amiga sobre o texto É a educação quem necessita ser valorizada, não somente os professores. E o texto do e-mail é este: – Adão Braga, eu não posso discorda completamente do texto, mas, em […]

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